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terça-feira, 31 de março de 2009

O Primeiro mês de gravidez



Uma vez fertilizado o Óvulo, a corrente que ajudou os espermatozóides a nadar até ao seu objectivo inverte o fluxo. Isto é, as ondas de contracção e a agitação dos "cilia" (Cílios) no interior das paredes da Trompa de Falópio mudam de direcção, para o útero. Esta inversão se dá devido às alterações hormonais da futura mamã - 24 horas após a fertilização, as nóvas células começam a produzir Gonadotrofina Coriónica Humana, uma hormona que é libertada na circulação sanguínea da mãe.
Sendo assim, ao fim de alguns dias, a gravidez pode ser detectada através de uma análise especial ao sangue (ou por um teste de gravidez que pode adquirir na Farmácia e fazê-lo em casa).
É graças à hormona GCH que a menstruação seguinte é impedida, e que o corpo da futura mãe é preparado para acolher o embrião.
O agregado de células, que resultou do desenvolvimento do óvulo fecundado, começa a deslocar-se ao longo da Trompa de Falópio, numa viagem que dura cerca de 2 ou 3 dias. Durante esse período, o número de células do agregado aumenta para 12 ou 16 - não é previsível este número, e nem sempre é par, visto que algumas células podem falhar e morrer sem prejudicar o desenvolvimento das restantes. A morte de células faz parte da vida desde o primeiro momento.


Também é frequente que muitas gravidezes terminem na altura da evolução do agregado de células, sem que sejam sequer reconhecidas, pois existe um mecanismo de segurança que é activado no caso das primeiras divisões celulares correrem mal, ou quando surge em condições não favoráveis - daí ser bastante comum dizer-se: "Não fiques anciosa por engravidar! Torna as coisas mais difíceis de acontecer!"
É nestes primeiros dias que se faz a transferência do óvulo fertilizado para a mãe no caso da "Fertilização in Vitro", quando o agregado tem 4 ou 8 células.
Neste método, é possível observar como se dividem as células no Laboratório (com uso do microscópio), permitindo aos pais que possam ficar com uma fotografia com o aspecto inicial do bebé.


As células contêm um núcleo que, por sua vez, contem os cromossomas que ultimam o programa genético de uma nova pessoa.
O agregado de células, ou seja "morula" ("amora"), enquanto se desloca para o útero, continua a aumentar o número das suas células. Raramente, mas acontece de vez em quando, essas células idênticas separam-se em 2 ou mais grupos distintos, dando origem aos gémeos, trigémeos ou mais! Todos começam o seu desenvolvimento paralelo nesta fase inicial ou nos dias seguintes.



A pequenina "amora" entra no útero por volta do 4º dia. Aí continua à deriva durante 2 ou 3 dias, enquanto o número das suas células continua a aumentar (para mais de 100), tornando-se cada vez mais pequenas e sem aumentar o seu volume total. Assim, todo o agregado continua a caber dentro da "casca" do óvulo original, embora esta já se encontre ligeiramente esticada. Este mecanismo evita que o agregado se implante demasiado cedo, o que é bastante bom durante o percurso pela Trompa de Falópio porque protege o futuro bebé e a mãe de perígos mútuos se a implantação se desse nesse estreito canal - este tipo de casos é mais comum em mulheres que engravidam tardiamente.
Eis que se nota uma modificação quando o agregado de células flutua na superfície do útero: as células começam-se a diferenciar umas das outras, dispondo-se em 2 agrupamentos distintos: o interior e o exterior.
A massa de células interiores fará surgir o embrião, dando origem ao bebé.
Quanto ao grupo exterior de células, este durará apenas durante os meses de gestação, até ao nascimento. Estas células darão origem a todos os vasos e estruturas que formam a placenta, cuja missão é alimentar, proteger e abrigar o bebé até ao nascimento.
Não se sabe o que determina a distinção das células interiores das exteriores. Talvez seja apenas o local onde se encontre determinada célula quando se dá a diferenciação.
As células diferenciadas vão aumentando de número de um modo organizado, transformando-se no "blastocisto", o que significa "bolsa do rebento".



Entretanto a "casca" cede, abrindo-se e deixando sair as células exteriores, as quais se começam a implantar quando entram em contacto com a superfície do útero. Isto normalmente acontece dentro da curva superior do útero, o local com maior probabilidade de conduzir a um nascimento sem problemas.
A escolha do agregado do local de implantação continua um mistério, mas será aqui que o futuro bebé terá fácil acesso aos nutrientes devido à proximidade dos vasos sanguíneos maternais.
Cerca do 7º dia, as células começam a afundar-se no forro do útero. Mas, para não serem rejeitadas, enviam sinais especiais que podem ser comparados a uma chave mestra universal. Essa chave é a mesma para todas as pessoas, e é a mesma que as células da mãe emitiram quando ela própria não passava de um agregado de células. Assim, as células maternas não mobilizam defesas contra as recém chegadas porque as reconhecem, biológicamente, como "amigas universais" e não como inimigas.



O Útero aceita amigávelmente o invasor, o qual começa a desenvolver finos "villi" (uma espécie de "tufos de pêlos") que o ajudarão a absorver os nutrientes da circulação sanguínea da mãe, e que o ajudarão a implantar-se com segurança.
No fim da primeira semana, os tecidos maternais que foram invadidos cicatrizam e cobrem o agregado de células com uma espécie de cápsula, que o protegerá e o ajudará a segurar-se.
Por volta do 9º dia, as camadas de células do agregado dispõem-se de modo a formarem uma espécie de "escudo embriónico": a parte superior, a mais larga, é o local da cabeça do embrião, enquanto a ponta mais estreita corresponde ao corpo.




No interior deste "escudo" começam a juntar-se o número suficiente de células que formarão o importantíssimo Tubo Neural, do qual se deslocarão umas células para a frente que irão formar o Cérebro.
Na 3ª semana, à medida que os Lóbulos do Cérebro vão aumentando, o corpo começa a alongar-se e fica transparente - sendo possível observar as fundações do Tubo Neural e da Coluna Vertebral.
Por volta do 13º dia, um grupo de células move-se para o peito, organizando-se em forma de "U", que se tornará o Coração. Ao mesmo tempo, outras células começam a formar os vasos e o sangue que os irá percorrer.



Por volta do 25º dia, o Coração começa a bater regularmente, pois o sangue do Embrião já se encontra pronto. O sangue é bombeado através do circuito de vasos, que distribuirá nutrientes e oxigénio a todo o corpo.
O Cordão Umbilical começa a surgir na 3ª semana.
Por volta do 28º dia, o Embrião tem pequeníssimos braços, e as pernas começarão a nascer poucos dias depois. É, também, por volta desta altura, que as células especiais que geram os Óvulos ou os Espermatozóides do novo Ser migram para os órgãos reprodutivos recém formados!


  • Vídeo sobre o 1º mês de gravidez: Antes de clicar "Play", aconselho a parar o som do player do Blog para poder ouvir, com atenção, as preciosas explicações dadas no vídeo. Acredite, vai adorar!


sábado, 14 de março de 2009

Gravidez - O primeiro dia


De duas a três semanas depois do início da última menstruação, dá-se a fecundação do óvulo por um único espermatozóide. É neste momento que tudo o que irá conhecer no seu filho se transmite através da herança genética de ambos os pais, ou seja, o sexo do bebé, a cor dos seus olhos, a cor da sua pele, a altura que virá a ter, e a cor do seu cabelo. Também são transmitidas características que poderão ser influenciáveis, tais como o temperamento e a personalidade.
O óvulo, ou "ovum", provém do ovário da mãe, a qual pode ter mais de meio milhão de óvulos imaturos em ambos os ovários.
Estes óvulos já existiam mesmo antes do seu nascimento, e apenas alguns é que chegam amadurecer durante toda a sua vida.
Os óvulos começam a amadurecer, um de cada vez e de ovários alternados, após a primeira menstruação, na puberdade. O óvulo maduro liberta-se e cai dentro da Trompa de Falópio, onde permanece imóvel e adormecido 2 dias. Se for penetrado por um espermatozóide, gera-se uma nova vida. Caso contrário, cai e desaparece.
Apesar de só ter 0,13 mm de diâmetro, o óvulo é a maior célula do corpo humano, pois contem material genético da mãe, material celular e nutrientes para sustentar uma nova vida durante os primeiros dias.
O óvulo transmite sinais bioquímicos, através dos flúidos que o rodeiam, que atraem os espermatozóides de tal forma, que quando estes se aproximam do óvulo ficam "hiperactivados".


Os espermatozóides são muito semelhantes a um girino. São mais pequenos que o óvulo e estão entre as células mais pequenas do corpo. São impressionávelmente ágeis e bons nadadores, pois conseguem nadar uma longa distância em pouco tempo, embora sejam ajudados pelas ondas de contracções das paredes do aparelho sexual feminino, as quais criam uma corrente ascendente de fluídos em direcção ao local onde se encontra o óvulo. Assim, os espermatozóides recebem uma aceleração adicional que os ajuda a percorrer cerca de 18 cm em menos de meia hora!
É nos espermatozóides que vai a mensagem genética do pai.
O pai pode produzir esperma em cerca de 64 dias, desde o início ao fim do procedimento. Eles permanecem vivos e imóveis durante várias semanas no interior do corpo do homem, e ficam activos no momento da ejaculação, cujo sémen consegue levar consigo cerca de 20 milhões de espermatozóides - este número tem vindo a reduzir drásticamente com o passar dos tempos devido ao nível de vida que o homem leva (stress, mudanças de hábitos alimentares, falta de exercício físico, tabaco e álcool), e aos poluentes químicos.

Cerca de um terço dos espermatozóides libertados na ejaculação parecem mal formados e não são grandes nadadores. Eles têm como função impedir a entrada de espermatozóides rivais, deixando-se ficar para trás. Daí a sua denominação de "espermatozóide kamikase".
Aos outros mais vigorosos, que se atiram para a frente, dásse-lhes o nome de "caçadores de óvulos".
Mas nem todos os "caçadores de óvulos" têm sorte: alguns morrem, outros perdem-se, e no fim apenas restam várias dúzias dos mais fortes ou sortudos.
Quando não há um óvulo à sua espera, os espermatozóides prendem as suas cabeças às paredes das Trompas de Falópio, onde descançam e aguardam cerca de 48 horas pelo óvulo.

A entrada do Útero tem, normalmente, um muco protector, o "muco cervical", composto por açúcares e proteínas. Durante a maior parte do tempo este muco é espesso, e os espermatozóides ficam presos nele. Mas na altura da ovulação, o muco fica aquoso para facilitar a navegação dos espermatozóides.
Uma vez em contacto, o espermatozóide e o óvulo reconhecem-se biológicamente um ao outro. Assim, os espermatozóides ficam presos à camada exterior do óvulo, a "zona pellucida".


Os espermatozóides são sujeitos a uma proteína existente na "zona pellucida", a qual liberta a cobertura exterior da cabeça dos espermatozóides, deixando a descoberto umas enzimas especiais dos espermatozóides que ajudam a abrir uma fenda microscópica no óvulo, onde só entra aquele que tiver atingido o ponto favorável para a sua entrada.
Eis que se dá o momento da fertilização!

O óvulo reage imediatamente, deixando de ser acessível aos restantes espermatozóides, acordando do seu estado de dormência. O seu metabolísmo acelera um pouco e o seu consumo de oxigénio aumenta.
No centro do óvulo começam-se a organizar os "pronucleus" materno e paterno. Cada um destes pronucleus contem 23 pares de "cromossomas". Dispostos nestes cromossomas estão os genes (Genoma Humano).
Do pronucleo feminino tem sempre 22 + X. Ou seja, 22 cromossomas mais o cromossoma sexual feminino X. Do pronucleo masculino há 2 hipóteses: uma com o cromossoma feminino
(22 + X) e outra com o cromossoma masculino (22 + Y).
Ou seja, a espécie humana possui 46 cromossomas - 44 mais 2 cromossomas sexuais. Ao juntar X da mãe e X do pai, nasce uma menina (a mulher tem XX). Para nascer menino, tem de se juntar o X da mãe com o Y do pai (o homem tem XY).
Estudos efectuados parecem indicar que o espermatozóide masculino é mais rápido que o espermatozóide feminino, mas sobrevive menos tempo. Sendo assim, a probabilidade de sair rapaz aumenta se a relação ocorrer no período fértil (cerca de 14 dias antes da próxima menstruação), enquanto que as hipóteses de ter menina aumentam se a relação ocorrer até 3 dias antes do período fertil. Mas, atenção! São apenas probabilidades!


Calcula-se que os nossos cromossomas possam conter até cerca de cem mil genes, tendo cada um dos pais contribuído com metade por intermédio dos pronúcleos. Os genes têm ADN, o qual ditará o que irá nascer: um ser humano, membro de uma determinada família, de acordo com o que foi genéticamente transmitido ao longo da linhagem por todas as gerações anteriores.
Tente perceber: com tantos genes parentais em jogo, há tantas possibilidades de novas combinações dos genes ancestrais, que poderá resultar em alguém diferente dos antepassados. Sendo assim, será um programa genético novo, para um nova e única pessoa.
Constituído o novo programa genético, toda a substância do "ovo" se divide em 2 células novas e idênticas entre si. São as primeiras células do bebé.
É assim que começa o primeiro dia dos primeiros nove meses de vida do bebé!

> Sabia que?...
Ao longo dos tempos, os homens culpavam as mulheres (equivocadamente) quando estas davam à luz um filho do sexo não desejado.
Normalmente os Reis queriam filhos "varões" para lhes suceder ao trono. Mas, quando a Raínha dava à luz uma menina, era sempre a culpada do sucedido! E tal facto tinha ainda mais força quando os Reis, ao procurar prazer noutras mulheres, tinham filhos rapazes ("bastardos").


Sugestão: Veja a fotografia "Conception" de Adrian Petrisor. Uma versão muito original e engraçada da Concepção!




Vídeo sobre a Fecundação: Antes de clicar "Play", aconselho a parar o som do player do Blog para poder ouvir, com atenção, as preciosas explicações dadas no vídeo. Acredite, vai adorar!